E é ano eleitoral novamente. Momento em que devemos estar ainda mais atentos ao que acontece ao nosso redor e conosco. Nós eleitores somos todos vistos pelos candidatos ou seus cabos eleitorais como objetos preciosos. Todos querem nossos votos.
Viveremos dia após dia rodeados de manipulação - palavrinha interessante esta, que ao meu modo de ver é bem simples de entender - manipular a ação, ou seja, fazer com que a gente faça o que o outro quer, não importando qual seja com a nossa vontade.
Não lido muito bem com essa coisa de manipulação, quando percebo que estão tentando me manipular fico muito irritada e reajo, infelizmente nem sempre reajo de maneira racional pois sou uma pessoa emotiva, o que de vez em quando atrapalha.
Tempos atrás passei por uma situação nesse sentido. Uma pessoa querida me pediu ajuda para que ela pudesse ajudar uma terceira pessoa em relação a um site na internet, coisas de artes gráficas e códigos html, como as coisas que estava me pedindo era simples para eu fazer embora tomasse um tempão dos meus momentos de folga, noites e finais de semana ajudei.
A coisa evoluiu de tal maneira que acabei arrumando grande parte do site, foi é claro me passado para isto usuário e senha do site. A dona do site fazia suas alterações, eu fazia algumas outras e a coisa caminhava.
Não sei ao certo o que aconteceu, mas essas duas pessoas acabaram se desentendendo. Um dia a pessoa que eu ajudava me disse para eu olhar o site, olhei, e vi que estava todo desconfigurado, e imediatamente quis arrumar, então a pessoa me disse, não arruma nada, deixa assim, e assim ficou por alguns dias.
Ela insistia comigo, não arruma, se você arrumar eu não falo mais com você, se você arrumar eu vou brigar com você.
Eu estava me sentindo oprimida e responsável pelo estado que via aquele site, pois naquela altura dos acontecimentos eu já sabia que a dona do site não tinha capacidade técnica alguma para arrumar aquilo.
O meu lado profissional gritava para que eu não deixasse assim, o meu jeito de ser também, pois saber que posso ajudar e não ajudar me é muito difícil. Para culminar a dona do site me pediu diretamente para que eu arrumasse. Conversei por msn com a pessoa que eu ajudava, dizendo que a dona do site me pediu para arrumar. Ela me respondeu, não arruma nada! Se você arrumar eu não falo com você nunca mais.
Era noite de sexta feira, pensei um pouco a respeito e naquela mesma noite, decidi arrumar, afinal de contas se sou tão pouco importante para esta pessoa a ponto dela deixar de falar comigo por eu estar fazendo algo que ela mesma me pediu para fazer antes, que assim seja. Arrumei.
Na manha seguinte ao entrar no msn recebi a msg dela me dizendo que não falava mais comigo. Mais tarde falando com a dona do site exagerei quando falei para ela que outra pessoa não queria que eu arrumasse e esclareci algumas coisas. Não precisava fazer isso. Podia só ter arrumado. Isso foi colocar lenha na fogueira, foi o emocional falando mais alto que o racional.
A pessoa fez o que me prometeu e deixou de falar comigo. Sinto falta dela, creio que ela sinta a minha falta, mas tá feito.
Mas voltando ao ano de eleição, como funcionária pública noto essa coisa de manipulação no ambiente do trabalho. As pessoas que ocupam cargos comissionados sendo “convidadas” para participar de reuniões políticas desse ou daquele candidato. Nada demais se as pessoas convidadas não fossem “lembradas” que seus cargos são cargos de confiança e que elas deixarem de comparecer ou de executar uma determinada tarefa de maneira específica vai refletir se elas continuarão exercendo um cargo de chefia, e isso independe se a pessoa ocupa apenas um cargo comissionado ou se é funcionário de carreira e ocupando cargo comissionado por competência ou por indicação política. Para mim isso coação já que envolve o convencer outros a agir usando de ameaças, ativas ou passivas.
Não que eu pense que as pessoas não podem ou não devam convidar as pessoas para participar de quaisquer tipos de reuniões, comícios, passeatas e todos os tipos de manifestações com a intenção de ajudar alguém ser eleito. Isso é válido e democrático. Apoiar alguém a gente acredita é necessário, é natural a gente mostrar que apóia este ou aquele candidato por acreditar que ele é o melhor, que seus projetos são sérios e necessários.
Agora, apoiar este ou aquele candidato, pensando apenas no ganho pessoal, na vontade eterna de levar vantagem usando quem quer que seja para isso, querendo manter-se em cargos comissionados apenas por ter ajudado na campanha eleitoral e não por ter competência profissional para o cargo.
Usar o cargo para coagir seus subordinados para que apóiem o seu candidato é abuso de poder e deveria ser considerado crime.